sábado, 27 de dezembro de 2008

Cada um no seu galho!

É julho. As aulas acabaram e as crianças não conseguem conter a excitação pelos dias de descanso que as esperam.
Jean e Margô estão ainda mais contentes. Eles vão visitar seu vovô, Carlos Roberto, na fazenda. Seu primo Alfredo vai junto.
No domingo, o pai de Margô e Jean limpa o carro, checa o estepe e, com a ajuda das crianças, prepara as guloseimas para a viagem.
A fazenda do vovô não é longe, apenas meia hora de carro da cidade.
De repente, quando acabam de passar pela entrada da fazenda, surge um animal muito estranho, diferente de tudo o que aquelas crianças já tinham visto, e emparelha com o carro, voando. O bicho em tudo se parece com uma ave, mas têm dentes no bico! Alfredo, sentado junto à janela direita do veículo, fica maravilhado.
__ Vejam, esse passarinho tem dentes!
Então, de súbito, todos no carro ouvem um estampido, como uma pequena explosão.
__ Acho que o pneu do carro furou – é o pai quem fala. Eles encostam junto à estradinha de terra que leva até a casa de vovô Carlos, que já pode ser vista ao longe.
__ Lá está a casa do vovô. Faltava tão pouco...
Mas as crianças não parecem preocupadas com o pneu. Elas continuam entretidas com a estranha ave que seguiu o carro. Fora do veículo, eles tentam segurar o pássaro, que voa baixo por sobre suas cabeças.
__ Ele é lindo! – Margô.
Quando o pai fecha o capô do carro, depois de pegar o estepe, o barulho assusta o animal, que sai voando em disparada, em direção à pequena mata que se estende até os fundos da casa do vovô.
__ Não, ele vai fugir! – Alfredo, sem pestanejar, sai correndo atrás do pássaro. O mesmo faz seus primos Jean e Margô.
O pai, sem saber o que fazer, tenta impedi-los, mas as crianças já estão embrenhadas na floresta.
No meio da mata, ninguém consegue encontrar o estranho pássaro. As crianças estão próximas umas das outras, com um pouco de medo.
__ Alfredo, você sabe onde estamos?
__ Sei, acho que sim... não...
Jean, o mais velho, tenta tomar as rédeas da situação.
__ O bicho foi para lá! – ele aponta para cima quando vê o pássaro voando mata adentro.
As crianças correm atrás do bicho, passando por árvores, troncos caídos, pequenos riachos...
__ Não tô vendo nada! – Margô, meio chorosa.
__ Calma, ele não pode ir muito longe. Ou pode? – Alfredo.
__ Eu vi! Ele está indo para aquela árvore!
Na frente deles, a mata se abre em uma grande clareira.
__ Olhem, o passarinho vai pousar no galho lá no alto...
Então, na clareira aberta no meio da floresta, as crianças se deparam com algo que nunca tinham visto antes. O pássaro estranho se acomoda em um galho bem alto de uma árvore com muitos outros galhos, cheia de bichos diferentes pendurados, dormindo. É a árvore da vida!
Jean, Margô e Alfredo estão sem fôlego!
__ Que coisa fantástica! – Jean – vocês estão vendo quantos bichos diferentes estão nessa árvore?
__ Olha lá nosso passarinho! – é Alfredo – tem um outro bicho no galho do lado. Aquilo é um papagaio?
__ Não, é um tucano!
__ Tem um macaco lá perto!
__ E um monte insetos! Tem até uma aranha!
__ Margô, aranha não é inseto.
__ Tá, tá...
O encantamento das crianças é interrompido por uma voz meio preguiçosa.
__ Crianças...
__ De onde vem essa voz? – pergunta Jean.
__ Sou eu aqui embaixo – o som vem de uma coisa estranha parecida com um vaso muito colorido – eu sou Eifelia. Sou uma esponja.
__ Você fala? – Margô se aproxima da árvore e chega bem perto do animal falante.
__ Aqui eu falo.
__ Você falou que era uma esponja – pergunta Alfredo – dá pra tomar banho com você?
__ Não, comigo não, mas eu tenho uma irmã que é bem fofinha...
__ Dona Eifelia, eu nunca vi uma esponja pendurada em árvore...
De repente, uma borboleta pousa no nariz de Alfredo.
__ Vejam, uma borboleta!
__ Meu nome é Lepi. Eu moro lá em cima, junto com um monte de irmãos: as moscas, as baratas, as formigas e todos os outros insetos.
__ Minha mãe sempre diz “Eca! Que bicho nojento!” quando vê uma barata... mas você é tão bonita!
Um macaquinho deitado em um galho no alto da árvore acorda e desce para encontrar as crianças.
__ Psiu! Falem baixo vocês! Todos os bichos estão dormindo!
Ele fica de frente à Margô, a mais baixinha do grupo. Ela coloca o dedo no nariz do macaco.
__ Nossa, você parece gente! Tem olhos de gente, mãos de gente, pernas de gente...
__ Eu sei. Aquele velhinho sempre fala isso para mim...
Os olhos das crianças saltam.
__ Você conhece o vovô Carlos?
__ Claro, ele vem aqui todos os dias...
Alfredo, no entanto, continua intrigado com a árvore.
__ Seu macaco, eu ainda não entendi uma coisa.
__ Por favor, pode me chamar de Pan.
__ Seu Pan, por que esse monte de bichos está dormindo nessa árvore?
__ A árvore é nossa casa. E cada um tem um lugarzinho especial nela.
Margô pergunta:
__ Mas e os micróbios, aquelas coisinhas pequenininhas que a gente não consegue ver e que todo mundo fala que existe?
__ Eles moram numa outra árvore aqui perto.
__ E vocês dormem sempre assim, uns pertinho dos outros?
__ É. Eu fico lá em cima, perto dos cachorros, dos passarinhos, dos sapos... Nós temos muitas coisas parecidas!
Alfredo fala, enquanto tenta colocar a mão nos tentáculos de uma medusa que está lá perto.
__ Eu não faria isso se fosse você – diz Seu Pan – eles não gostam muito de ser incomodados.
Alfredo dá um passo atrás, constrangido.
__ Você disse que dorme do lado dos cachorros e dos sapos porque vocês são parecidos. É por isso que aquele caramujo tá do lado do polvo? E aquela estrela-do-mar tá do lado daquele, daquele... daquele bicho cheio de espinhos? – pergunta Jean.
__ É. Aquilo é um ouriço-do-mar.
O ambiente é, então, preenchido por chamados e gritos de adultos.
__ Crianças!
__ Jean, Margô, Alfredo!
__ Meninos!
As crianças entram em polvorosa.
__ Vovô! O vovô veio buscar a gente!
O macaco dá de ombros.
__ Eu falei que ele vinha aqui todos os dias...
Quando vovô Carlos chega, Margô corre em sua direção e pula nos seus braços. Ele é um velhinho simpático, careca e barrigudo, com uma longa barba branca.
__ Vovô, a gente viu um passarinho muito bonito e ele tinha dentes e ele tinha bico e ele...
__ Calma, Margô, assim seu avô não entende nada... – é uma outra voz.
__ Tio Vili! – Jean grita. O homem vem atrás do vovô Carlos.
__ O pai de vocês está muito preocupado – ele fala, apontando para Jean e Margô – ele foi procurar os perdidos na floresta lá do outro lado...
__ Vovô, você já viu essa árvore? – Alfredo aponta para o achado – tem um monte de bichos dormindo nela!
Vovô Carlos dá uma longa e gostosa risada.
__ Sim, minhas crianças. Eu conheço essa árvore. É a árvore da vida.
__ Mas eu não vi nenhum microbiozinho... eles não são vivos? – Margô, ainda no colo do avô.
__ São sim... esse aqui é só um pedaço da árvore da vida – tio Vili completa – nela moram todos os animais que a gente conhece.
__ Por isso ela é assim tão grande e cheia de galhos? – Jean.
Dona Eifelia, ainda sonolenta, responde para a menina:
__ Exatamente, menino. E levou um tempão para ela ficar assim.
O vovô Carlos intervém.
__ Bem, crianças, acho que é hora de ir para casa. Amanhã cedo nós podemos voltar aqui para conversar com os bichos depois deles acordarem.
__ Eu tô com fome – Alfredo.
__ Tchau, dona Eifelia! Tchau, seu macaco! Tchau, Lepi! – Margô.
Um tempo depois, já à noite, a casa do vovô está em silêncio. O velho senhor está sentado na sala, lendo à luz de uma vela.
De repente ele se levanta, segurando a vela, e caminha em direção aos quartos.
Em um deles, tio Vili e seu irmão, pai de Jean e Margô, estão dormindo. No outro, Jean, Margô e Alfredo dividem uma cama grande de casal.
Vovô Carlos vai até perto dos netos e verifica se tudo está bem.
__ Durmam bem, crianças... – ele sussurra, enquanto ajeita o cobertor.
O velhinho sai do quarto e vai até a varanda.
De repente, voando, vem um pássaro ao seu encontro.
Um pássaro muito diferente de tudo que já se viu, com dentes no bico. Ele pousa no ombro do vovô Carlos Roberto.
E o velhinho sorri.

FIM

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

I EWCLiPo

Aconteceu nos dias 11 e 12 de dezembro último, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (Universidade de São Paulo) o I EWCLiPo - I Encontro de Weblogs Científicos em Língua Portuguesa. Eis a foto oficial do evento:


Apesar do público pequeno, as discussões foram bastante interessantes. Estavam presentes vários blogueiros de ciências: esse que vos fala, Mauro Rebelo (do Você que é biólogo), Leandro Tessler (do Cultura Científica), Isis Nóbile (do Xis-Xis), Atila Iamarino (do Rainha Vermelha), Carlos Hotta (do Brontossauros no meu Jardim), Osame Kinouchi (SemCiência), Reinaldo José Lopes (do Visões da Vida), Dulcidio Braz Júnior (do Física na Veia), Gustavo Z. Miranda (do Laboratório de Divulgação Científica), Luiz Bento (do Discutindo Ecologia), Stephen Dedalus (do Atlas) e Francisco Belda.

Foram dois dias discutindo o futuro da blogosfera brasileira, divulgação científica tradicional e na web, o papel dos blogueiros no ensino e como a academia pode passar a considerar a ciência publicada nos blogs como mais do que apenas "exibicionismo científico" de alguns poucos entusiastas.

A próxima edição do evento acontecerá muito provavelmente em alguma cidade litorânea do Rio de Janeiro (talvez Búzios), no segundo semestre de 2009.

Logo as apresentações serão disponibilizadas no site do Laboratório de Divulgação Científica, bem como alguns vídeos com trechos de cada palestra.