terça-feira, 27 de outubro de 2009

Iluminação recíproca e consiliência

Em linhas gerais, a biogeografia é o estudo dos padrões e processos responsáveis pela distribuição dos seres vivos no planeta. Ela é extraordinariamente complexa porque engloba uma grande quantidade de evidências e áreas distintas de investigação biológica.

Recentemente, publiquei um artigo (com um colega da USP-RP, Msc. Renato Capellari) discutindo alguns conceitos relativos à filosofia da biogeografia histórica. Sua versão on-line pode ser encontrada no site da Evolutionary Biology (o trabalho impresso deve sair na edição de dezembro da revista).

Santos, C.M.D. & Capelari, R.S. 2009. On reciprocal illumination and consilience in biogeography. Evolutionary Biology. DOI 10.1007/s11692-009-9070-y

Segue o resumo do texto:
A biogeografia lida com a análise combinada dos componentes espacial e temporal do processo evolutivo. Para esse propósito, uma análise biogeográfica deve considerar dois passos extras: um passo de iluminação recíproca e um passo de consiliência. Mesmo que os desafios tradicionais da biogeografia forem sobrepujados com sucesso, a hipótese obtida não é necessariamente significativa em termos biogeográficos – ela precisa de teste contínuo à luz de hipóteses externas. Por isso, um conceito análogo à iluminação recíproca de Hennig é valioso, assim como um tipo de consiliência biogeográfica no sentido de Whewell. Inicialmente, através da busca por diferentes classes de evidência, informação útil para aperfeiçoar a hipótese pode ser acessada via iluminação recíproca. Em seguida, uma hipótese mais geral pode ser encontrada através de um processo de consiliência, quando a hipótese explica fenômenos não contemplados durante sua construção, como a distribuição de outros táxons ou a existência (ou ausência) de fósseis. Esse procedimento visa à avaliação da robustez das hipóteses biogeográficas como teorias científicas. Tais teorias são descrições confiáveis de como a vida muda sua forma no espaço e no tempo, colocando a biogeografia histórica próxima à concepção de Croizat de evolução como um fenônemo tridimensional.

2 comentários:

Sarah Oliveira disse...

Olá Charles!
Parabéns pelo artigo. Como você já começou uma discussão em português seria legal expandi-la um pouco mais. A meu ver, uma leitura prévia de um texto em português facilitaria a compreensão do texto em inglês por parte dos alunos (que é uma reclamação constante..)e poderia resultar em discussões interessantes nas aulas.
Beijos!

Charles Morphy disse...

Olá, Sarah!

É uma boa idéia. Acho que uma breve apresentação dos conceitos em português pode mesmo facilitar a compreensão do artigo.
Vou providenciar isso!