sexta-feira, 11 de julho de 2008

Na revista Piauí de março



Esse artigo saiu na edição de março de 2008 da revisa Piauí. Foi escrito por Otávio Frias Filho, jornalista e diretor de redação da Folha de S. Paulo. Ele publicou Queda Livre, pela Companhia das Letras, e o Livro da Primeira Vez, pela Cosac Naify. O artigo é a condensação de um ensaio que será publicado em livro (a ilustração acima é do artista plástico Nuno Ramos, autor de Ensaio Geral, publicado pela editora Globo).
Apesar de um pouco tendencioso em certos trechos, é um ensaio bem escrito e sem erros conceituais graves, funcionando como uma boa introdução a aspectos fundamentais da história do pensamento evolutivo de Darwin e a algumas das consequências da teoria da evolução para o pensamento humano moderno.

Darwin e seus descendentes

Otávio Frias Filho

Um fantasma ronda as ciências humanas: o fantasma do darwinismo. O assédio começou em meados do século passado, nos confins de uma disciplina então incipiente, a etologia, que estuda o comportamento animal. O pressuposto desses pioneiros, zoólogos darwinistas, era que o comportamento contribui para um maior ou menor sucesso evolutivo, sobretudo entre os animais sociais, os que cooperam entre si. Por conseqüência, também os comportamentos devem ter sido “selecionados” em termos evolutivos. Ou seja, teriam predominado ao longo do tempo as condutas que propiciam a seus portadores viver mais e deixar prole mais numerosa

As espécies sociais existem em vários ramos da natureza. Além das formigas, abelhas, vespas e cupins, o grupo inclui determinados peixes, aves e mamíferos – entre estes, os homens. Não tardou para que extrapolações da etologia fossem aplicadas, de maneira cautelosa e especulativa, à espécie humana. Os próprios etólogos foram os primeiros a ressalvar que, no caso da humanidade, a herança biológica se mescla à cultural, formando um amálgama impenetrável. Por imensa que seja a variação cultural entre os homens, no entanto, para esses autores ela sempre será expressão de uma matriz genética e inconsciente, adquirida de forma evolucionária nos 5 milhões de anos desde que nos destacamos dos símios. (O texto na íntegra pode ser encontrado no site da revista Piauí).

3 comentários:

Almir disse...

Mr. Charles?!!! Duca o blog. Supersério, cheio de dicas e referências ótimas! Vai ganhar uma puta visitação, espero. Gosto da idéia de que inclua também um humorzinho. Talvez para aqueles casos em que a ciência falha. Vários. Beijos.

Maria Guimarães disse...

li esse texto, e concordei com você até certos desenvolvimentos do pensamento do darwin que conheço melhor. cheguei a escrever para a piauí reclamando, copio aqui uma versão resumida.

O longo e erudito argumento, infelizmente, caiu em alguns clichês que rondam a percepção por leigos.
Exemplo. Sociobiologia é, como cita Frias, "o estudo dos fundamentos genéticos e evolutivos do comportamento nas espécies sociais". Já a psicologia evolutiva, que ele apresenta como sinônimo, trata mais especificamente das bases genéticas do comportamento humano.
Os dois termos entraram para a história como sinônimos porque críticos - motivados mais por política do que ciência - tomaram o último capítulo de Sociobiology, em que Wilson trata de humanos, como o cerne da disciplina. Não era. Quem seguiu esse grupo barulhento adotou uma definição própria para o termo "sociobiologia", este centrado em remover o livre arbítrio do homem e considerá-lo prisioneiro de sua biologia. Surgiu aí, para diferenciar a sociobiologia original da derivada, o termo "psicologia evolutiva".

No final, o ensaio de repente chega à teoria social darwinista, como se Wilson, Maynard Smith e até mesmo Darwin tivessem algo a ver com isso. O que ela promete que não pode entregar? Quem prometeu? O leitor fica sem saber, mas associa aos pensadores errados.

E por último: "O darwinismo exala, porém, um odor de fatalidade. Há algo de conformista em sua resignada aceitação de tudo o que existe como resultado ótimo de um longo preparo". Depois de longo trajeto percorrido, desde Darwin até os neodarwinistas e os psicólogos sociais, não sei o que o autor chama de "darwinismo". Não vejo, porém, nenhuma fatalidade em saber que organismos constantemente se adaptam a circunstâncias voláteis. Que genes se alteram e mesmo que fiquem iguais podem atuar de maneira diversa conforme a situação. Que comportamentos e características físicas dependem de um entrelaçado complexo de genes, cérebro, músculos, memórias, sensações, momentos etc. etc. etc.
Não sei o darwinismo, mas isso é evolução.
As ciências humanas poderão assumir o papel postulado por Otavio Frias Filho se for além dos clichês, deixar preconceitos de lado e se dispuser a entender a biologia.

Maria Guimarães disse...

obrigada pelo alô lá no ciência e idéias. estimular o espírito crítico é trabalho árduo, mas que muda a vida das pessoas. não desista!